Comunicação interna

Antes de definir a palavra comunicação faz-se necessário entender que informar é diferente de comunicar, pois informar é apenas a transmissão de uma informação sem verificar se o receptor recebeu de forma correta ou não, enquanto que comunicar é a troca de informações estabelecendo-se um diálogo entre as partes envolvidas certificando-se que, portanto, o receptor além de receber a mensagem entendeu o conteúdo. 

Segundo Matos (2009. p.2) comunicação significa o mesmo que “tornar comum, partilhar, repartir, trocar opiniões". Já Ferreira (2004), fala que comunicar quer dizer associar, estabelecer comunicação entre; ligar, unir, compartilhar, tornar comum. 

Por outro lado, Brum (2010 p.40) afirma que “A comunicação é a base para qualquer relacionamento humano”. Ainda segundo esse mesmo autor a comunicação é a transferência da informação de uma pessoa para outra, seja para repassar pensamentos, idéias ou valores. Já a comunicação interna entende-se que é a ação de tornar comuns os objetivos organizacionais, através do alinhamento do pensamento dos colaboradores as diversas estratégias e diretrizes da empresa. 

Baseado nisso é que as empresas utilizam a comunicação interna como uma ferramenta para criar de certa forma um comprometimento por parte dos colaboradores já que eles estarão mais envolvidos com o que acontece no ambiente de trabalho. Sobre isso Brum (2010, p. 149) afirma que:

A partir do momento em que o funcionário passa a conhecer verdadeiramente a empresa na qual trabalha e o que pensa a direção, sente-se desempenhando um papel determinante para a manutenção e o crescimento dessa empresa. O sentir-se importante passa pelo grau de informação que recebe, já que na comunicação interna este é o produto da troca.

A este respeito, Kunsch (2003, p.159) afirma que a “oportunidade de se manifestar e comunicar livremente canalizará energias para fins construtivos, tanto do ponto de vista pessoal quanto profissional”, ainda mais por conta do extenso tempo que se passa dentro da empresa, é imprescindível que o clima organizacional propiciado “seja o mais agradável possível”. 

Dessa forma a comunicação na empresa garante o alinhamento dos funcionários com os objetivos a serem alcançados, além de poder ajudar na prevenção de possíveis contratempos, pois a empresa tem a possibilidade de intermediar conflitos buscando soluções rapidamente, além de permitir um trabalho a ser desenvolvido mais harmoniosamente, ou seja, um bom líder deverá usufruir de maneira benéfica a comunicação.

Segundo Pasqualini (2006, p. 36), a comunicação interna é determinante para manter a “saúde organizacional” e têm como finalidade comunicar os fatos e notícias a todos os funcionários de uma determinada empresa. Essa mesma autora ainda afirma que a comunicação interna tem como objetivo essencial “firmar a imagem positiva da empresa na mente de seus colaboradores”. 

Assim o papel do profissional da comunicação é analisar os fenômenos da comunicação, orientar e formar pessoas. (VIGNERON, 2000) 

Porém é válido ressaltar que informar está muito longe de ser o principal objetivo da comunicação interna, se tratando de algo muito além do que somente passar a informação adiante. É um processo diretamente ligado à cultura da empresa, ou seja, aos valores e ao comportamento das suas lideranças além das crenças dos seus colaboradores. 

O conteúdo da comunicação interna deve estabelecer um canal direto com os colaboradores e seu público de interesse de forma a desenvolver um diálogo contínuo, com a finalidade de garantir a total compreensão do todo por parte dos funcionários. 

Não basta assegurar que a comunicação ocorra. É preciso fazer com que o conteúdo seja efetivamente aprendido para que as pessoas estejam em condições de usar o que é informado, por isso deve-se estabelecer um clima de verdade e autenticidade, pois caso contrário será apenas jogos de aparência. (RUGGIERO, 2014) 

De fato é necessário que o conteúdo seja realmente aprendido para que o processo de comunicação ocorra com eficiência. Sobre isso Marques (2004), defende que a comunicação interna é como uma via de mão dupla, portanto, é preciso saber comunicar, bem como escutar. Ele define os 5 “C” de uma comunicação interna eficaz, que são: clara, consciente, contínua e frequente, curta e rápida e completa.

Com base nisso, pode-se afirmar que a comunicação interna exerce um dos seus principais papéis, que é aproximar a empresa de seus colaboradores, visto que estes executam suas atividades de forma agregada aos objetivos e negócios da empresa. 

Quando não existe comunicação muitas vezes os funcionários nem sequer conhecem a empresa na qual trabalham, mas o que acontece é que a maioria das organizações não se preocupa com essa questão e não imaginam o problema que isso pode causar. 

As empresas devem contribuir para reverter esse quadro, tendo como ponto de partida a valorização do capital humano que, por sua vez, gera satisfação pessoal, comprometimento e participação de todos os atores envolvidos. 

É válido, ainda, destacar que a comunicação não é tarefa apenas dos especialistas, ela é assunto de todos e de todos os momentos, desde o staff de direção que determina a política de comunicação até o chão da fábrica. 

Nesse processo ainda é importante salientar que se obtenha um feedback (resultado), pois é a partir do feedback que se garante os resultados e fluxos das mensagens com êxito. Se não houver retornos, a comunicação será ineficaz e poderá prejudicar os objetivos da organização. 

É fato que a comunicação deve ser eficaz para atingir seu objetivo, mas para isso acontecer ela deve ser capaz de mudar a atitude das pessoas, não só as ideias. 

Sobre o sucesso da estratégia de comunicação Argenti (2006, p. 69) diz que: “o sucesso da estratégia de comunicação de uma empresa depende em grande parte do elo entre a estratégia de comunicação e a estratégia geral da empresa. É preciso ter um sólido desempenho da comunicação empresarial para apoiar tais missões e visão”. 

Para Ruggiero (2014), a qualidade da comunicação é derivada de alguns pontos considerados de suma importância: Prioridade à comunicação; Abertura da alta direção; Processo de busca; Autenticidade; Foco em aprendizagem; Individualização; Competências de base; Velocidade; Adequação tecnológica.

Dentre os principais objetivos da comunicação interna lista-se alguns: 

* Difundir dentro da empresa os conhecimentos adquiridos pelos empregados, diretores e proprietários; * Divulgar as ações da empresa de forma direta e transparente;
* Envolver a equipe de trabalho da empresa nas metas da organização. 

Existem algumas ferramentas que merecem destaques, tais como: jornal, revistas, newsletter e redes sociais. Entretanto, é necessário primeiramente um conhecimento do seu público-alvo, ou seja, é preciso verificar em quais plataformas seus funcionários são mais adeptos. Na atualidade, por exemplo, muitas empresas pequenas têm adotado o uso corporativo de aplicativos de comunicação, como o WhatsApp, que são ao mesmo tempo sociais. 

Sobre isso, a Jornalista Rebeca Fleury, no artigo Ferramentas da Comunicação Interna, no site www.nancyassad.com.br/ferramentas-da-comunicacao-interna, defende a ideia de que antes de criar uma nova plataforma para divulgar informações e compartilhar ideias é fundamental analisar as já existentes na organização. A questão é que a eficiência e o desempenho do meio de comunicação da empresa devem ser avaliados e, a partir disso, explorar mais o que geram bons resultados. (Disponível em http://www.nancyassad.com.br/ferramentas-da-comunicacao-interna/). Ainda de acordo com o site www.nancyassad.com.br/ferramentas-da-comunicacao-interna é preciso estar atento a algumas características que a Comunicação Interna deve seguir para conseguir atingir os objetivos esperados:

* Avaliar a plataforma de comunicação: é mais rápido e menos oneroso explorar o canal já existente, mas deve-se analisar se o canal está sendo eficiente ou se é necessário mudar. 

* Respeite a cultura organizacional: se a maioria dos colaboradores são pessoas que pouco usam celular, certamente não será bom utilizar aplicativos para celular ou vice-versa. 

* Considere (e muito) a logística: Deve-se estar atento aos mecanismos de distribuição e circulação das mensagens, pois causa desconforto na medida em que parte dos funcionários é informada com atraso em relação a outros colegas. 

* Cuidado com os gêneros de comunicação: geralmente o funcionário é mais receptivo a formatos claramente demarcados, com os quais ele se identifica. 

* Mescle conteúdo funcional com conteúdo relacional: a informação não deve ser tão formal para não ficar “chato de se ler”, é preciso equilibrar com conteúdos relacionados à questão prática do negócio e conteúdos que falam sobre comportamento, qualidade de vida 

* Medir para melhorar: Faz-se necessário saber se a ferramenta que está sendo utilizada está trazendo algum retorno assim deve ser medida a qualidade e eficiência do trabalho. 



























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